Inteligência Artificial: realidade para uma advocacia do futuro
6 de agosto de 2025
Por Juliana Portela, sócia de Legal Ops do Melo e Isaac Advogados
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As discussões sobre o uso da tecnologia na advocacia e no Judiciário como instrumentos para avanços, inovações e otimização do trabalho já são antigas e têm se desenvolvido ao longo dos anos. Agora, com a Inteligência Artificial, esses debates seguem outro ritmo e colocam a questão: o que de fato a IA pode fazer para os profissionais do Direito e, mais importante, para a melhoria dos negócios de seus clientes?
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Devido à capacidade das ferramentas baseadas em IA de processar dados em larga escala, aprender com padrões e executar tarefas cognitivas antes exclusivas de humanos há uma nova realidade em jogo: advogados podem dedicar mais tempo ao trabalho de alta complexidade e à solução de problemas customizados, otimizando processos e dando maior retorno aos clientes.
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O olhar para a nova tecnologia como uma ferramenta real de trabalho já é mais que urgente. Ao longo dos anos, a advocacia passou por um processo de transição digital robusto, com a adoção de softwares de gestão, digitalização de documentos e uso de tecnologias para apoiar a prática jurídica. E o surgimento e popularização da IA têm levado essa transformação a um novo patamar.
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A incorporação das inovações nos escritórios de advocacia como ferramentas de trabalho possibilitou avanços que vão desde a automação de tarefas repetitivas até o suporte estratégico na tomada de decisão. E hoje, as aplicações de IA na advocacia estão cada vez mais diversificadas, com impacto tanto nas áreas operacionais quanto no trabalho técnico.
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Em áreas como Controladoria Jurídica, ferramentas de IA têm revolucionado processos como a automação da gestão de prazos. Sistemas de IA monitoram processos judiciais automaticamente, atualizando advogados sobre novas movimentações, reduzindo atrasos e evitando problemas decorrentes de erros humanos. A IA vem sendo utilizada por esse setor dos escritórios para ler, resumir, interpretar decisões e ainda sugerir ou até mesmo agendar os prazos processuais correspondentes diretamente no ERP da empresa.
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Nos escritórios que possuem um setor Legal Operations (Legal Ops), os ganhos com a utilização da IA são ainda maiores. Fluxos otimizados para alocar recursos, monitorar o progresso e identificar gargalos de produção, com aplicação de análise preditiva, por meio do exame de litígios passados para computar as chances de ganho de causa de casos futuros ou sugerir acordos mais adequados são realidade. Vale o destaque: ferramentas de machine learning disponíveis no mercado são capazes de predizer com 90% de precisão quais casos têm mais chances de sucesso na fase inicial.
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Além disso, a Inteligência Artificial em sido utilizada para liquidar decisões condenatórias. Prompts bem estruturados têm apresentado uma assertividade de mais 95% do valor real da liquidação quando comparado aos resultados apresentados nos cálculos realizados por um humano.
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As atividades técnicas dos advogados também têm sido impactadas, como no uso de ferramentas prontas para a elaboração de peças e identificação de precedentes. Inclusive, recentemente as duas maiores plataformas do país de repositório de jurisprudência lançaram os seus assistentes de IA para a elaboração de documentos, utilizando para tanto o seu acervo próprio, garantido maior segurança das informações e dos dados utilizados nas peças, o que gerou uma boa receptividade no mercado jurídico.
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No que se refere à gestão de contratos, plataformas de IA permitem a análise em massa para lidar com a gestão de prazos e renovações automáticas. Além disso, a IA ainda identifica cláusulas chave, inconsistências ou mesmo violações regulatórias antes que os documentos sejam encaminhados aos clientes.
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Hoje, além da utilização de produtos de prateleira comercializados pela inúmeras Lawtechs e Legaltechs, a popularização da IA tem permitido que os escritórios se aventurem na criação dos seus próprios prompts e assistentes, criando meios de personalizar o seu negócio para os negócios dos seus clientes.
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A presença da Inteligência Artificial na advocacia já é uma realidade que gera impactos profundos e transformadores, especialmente no serviço oferecido aos clientes. O sucesso dessa integração, no entanto, depende de uma abordagem consciente: escritórios e advogados devem buscar capacitação contínua, adotar ferramentas de forma estratégica e atuar para garantir que o uso de IA seja ético e regulado.